segunda-feira, 20 de agosto de 2012
SE
Se és capaz de manter a tua calma quando
todo o mundo te culpa;
De crer em ti, quando todos estão duvidando,
e para estes, no entanto, achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares
e não parecer bom demais nem pretensioso.
Se és capaz de pensar, sem que a isso só te atires;
De sonhar, sem fazer dos sonhos teus senhores;
Se, encontrando a derrota e o triunfo, conseguires
tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
e perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar, seja o que for, que neles ainda existe
e a persistir, assim quando exaustos, contudo,
resta a vontade em ti que ainda ordena: persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
e, entre reis, não perder a simplicidade;
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes.
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
do implacável minuto todo o esforço na corrida,
Tua é a terra com tudo o que nela existe
- e o que ainda é muito mais - és um homem,
meu filho!
Rudyard Kipling
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